BUENAVENTURAdeal-making

11.09.2026 · 4 min · Crédito

Garantia boa e garantia mal formalizada

Em operação de crédito estruturado, a garantia é o que separa uma taxa de dois dígitos de uma taxa razoável. Mas o efeito da garantia sobre o preço não vem da existência dela: vem da facilidade de executá-la. São coisas diferentes, e a confusão entre as duas custa caro.

Hipoteca e alienação fiduciária

Um imóvel dado em hipoteca e o mesmo imóvel em alienação fiduciária produzem preços diferentes. A alienação fiduciária tem procedimento extrajudicial, prazo previsível e menos espaço de discussão. A hipoteca depende de execução judicial, com todo o tempo que isso implica. O bem é o mesmo; o que muda é quanto tempo o credor leva para transformá-lo em dinheiro.

Recebível sem trava é promessa

Recebível é a garantia mais líquida e a mais mal formalizada. Cessão de recebível sem registro, sem trava bancária e sem notificação do devedor é promessa, não garantia. Na hora do problema, o dinheiro entra na conta do tomador e some antes de qualquer providência.

Aval depende de patrimônio

Aval e fiança dependem inteiramente do patrimônio de quem assina, e esse patrimônio precisa ser verificado no momento da operação, não presumido pelo cargo ou pela reputação. Aval de sócio sem bens em nome próprio é assinatura, não garantia.

O teste de uma página

A regra prática é simples: antes de aceitar uma garantia, descreva por escrito o caminho da execução, do inadimplemento até o recebimento, com os prazos de cada etapa. Se esse caminho não couber em uma página, a garantia vale menos do que parece — e o preço deveria refletir isso desde o começo.